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17/07/2015
Zumbido no ouvido
Utilizando a técnica da acupuntura, projeto pretende reduzir o incômodo de pacientes que sofrem com o problema
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"Olha, tem dia que ele tá que nem um grilo cantando. Parece que eu estou dentro de uma mata cheia de grilos. Outros dias, parece um barulho de trator, de geladeira, que nem eu sei entender, sabe?", descreve dona Geralda Caetano, de 78 anos, que há dois anos sofre com  zumbido no ouvido. Segundo o fisioterapeuta e professor da Unopar, Marcelo Doi, o zumbido não tem cura e as causas concretas da doença ainda são desconhecidas, mas já se sabe de alguns fatores que podem contribuir para que ele apareça: "De certa forma, ainda não existe uma causa propriamente definida, mas temos relatos de que a deficiência na circulação sanguínea pode causar o zumbido; por isso, durante muito tempo os médicos indicaram a Ginkgo biloba para poder amenizar esse sintoma. Em algumas pesquisas, encontramos pessoas que têm deficiência de zinco. As que fizeram reposição desse mineral conseguiram ter uma melhora no zumbido, mas, assim como a Ginkgo biloba, também não são 100% das pessoas que melhoram", explica Doi.
Outras possíveis causas para a aparição do zumbido no ouvido são as inflamações e é justamente para elas que estão sendo direcionadas as pesquisas dos professores Marcelo Doi e Luciana Marquiori em projeto desenvolvido na Unopar, que oferece tratamento gratuito para pessoas, com idade acima dos 60 anos, que apresentem os sintomas do problema. O fisioterapeuta conta que "foi feita uma coleta de sangue inicial para poder verificar o nível de células inflamatórias, das citocinas, mais especificamente da interleucina seis, e também se a deficiência da vitamina D influencia no zumbido. Então, estamos investigando outras duas possíveis causas e verificando se a acupuntura melhora esses aspectos ou não", completa Marcelo Doi.
Utilizando as técnicas da crâniopuntura chinesa, os pacientes passam por dez sessões - duas por semana - que estimulam eletricamente a linha do vestíbulo coclear, correspondente à região cortical do cérebro, que é responsável pela audição e pelo equilíbrio. Segundo Marcelo Doi, o objetivo é normalizar a frequência de atividade cerebral. "O cérebro tem uma função normal num ciclo de aproximadamente 8 a 10 hertz e, quando existe o zumbido, a gente acredita que o cérebro trabalhe em uma frequência maior do que 10 hertz. Por isso, quando colocamos o eletroestímulo, procuramos trabalhar numa frequência de 2 hertz, para diminuir essa frequência alterada", conta.
Entre os pacientes que procuram pelo tratamento, a principal queixa é o incômodo que o zumbido provoca durante a noite, impedindo que tenham um sono tranquilo. Segundo dona Geralda, que não se queixa de nenhum outro problema de saúde, a não ser do barulho constante no ouvido, é a noite que o sintoma piora e aí não tem outro jeito: "Tomo remédio pra dormir, porque, se eu não tomo, não consigo dormir. Coloco travesseiro na cabeça, enrolo na coberta, mas não adianta, porque o barulho está dentro da cabeça", detalha. E é quando o sono é afetado que a qualidade de vida cai, o que faz que o zumbido deixe de ser apenas um incômodo para se tornar um problema, "porque a pessoa não dorme direito. Então, aquele reparo no corpo para dar energia para o dia seguinte acaba não sendo eficaz e acaba deixando a pessoa mais cansada durante o dia. Um, dois, três dias é possível aguentar. O problema é quando esse incômodo se estende por meses, anos", enfatiza o fisioterapeuta.
O zumbido no ouvido, que atinge cerca de 15% da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde, não tem cura e suas causas ainda não foram determinadas. No entanto, as pesquisas feitas pelo projeto da Unopar têm obtido resultados positivos com o uso da acupuntura como tratamento. A pesquisa busca provar justamente a eficiência do método.

Serviço: Para participar do projeto é necessário ter mais de 60 anos e entrar em contato com a Clínica de Fonoaudiologia da Unopar pelo fone 3371-7775. É gratuito.

Carol Ferezini

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