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12/05/2015
Thomas Hardy
O alto preço da ingenuidade
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Além do incontestável William Shakespeare, dentre os grandes escritores de língua inglesa, poucos foram tão adaptados ao cinema quanto Thomas Hardy (1840 - 1928). Suas obras têm aquele apelo cênico e estético, aquela abordagem fortemente emocional, aquele olhar clínico e psicológico, tão caros aos diretores que buscam uma bela história para transpor às telonas.
Apesar de literariamente pouco conhecido do público brasileiro, na sua Inglaterra natal Hardy figura entre os clássicos. Suas obras são referências a se cuidar e seus personagens são modelares à moral e aos bons costumes. Dentre seus feitos, e provavelmente uma das maiores causas do potencial adaptativo que ainda hoje apresenta, está a engenhosa construção narrativa, articulada de modo a transmitir duríssimas lições ao seu desavisado leitor; lições que o autor habilmente tece a partir dos infortúnios de seus malogrados protagonistas; lições impossíveis de ignorar.
A mais notória dessas adaptações data de 1979 e foi realizada pelo franco-polonês Roman Polanski. Tess, cuja personagem-título é delicadamente interpretada por Nastassja Kinski, conta a história de uma boa moça, de bom coração, afeita a contar verdades, que sofrerá toda impiedade da sociedade...
Igualmente destacada é a adaptação de Judas, O Obscuro, cujo título em português virou Paixão Proibida, de 1996, com Christopher Eccleston e Kate Winslet no elenco. Judas conta a história de um bom moço, de bom coração, afeito a contar verdades, que sofrerá toda impiedade da sociedade...
Não gratuitamente, Thomas Hardy vale-se dessa prosaica fórmula a fim de lançar um alerta, a fim de poupar seus semelhantes de caminho análogo - nesse sentido, toda sua obra soa como um retumbante recado ao desavisado.
Outros importantes livros do autor, adaptados à sétima arte, foram O Retorno de um Nativo, de 1994, primeiramente lançado como série televisiva, que alçou as crreiras de Catherine Zeta-Jones e Clive Owen; e, finalmente, Riqueza Perdida, de 2000, que se desenvolve em torno da corrida do ouro e que funciona quase como um faroeste, embora seu eixo central continue sendo o drama humano.
Não são obras fáceis - nem os filmes e menos ainda os livros. Mas que ensinam muito sobre o alto preço a se pagar neste mundo pela ingenuidade.

Thiago F. de Andrade

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