Notícias

20/04/2015
Cribari
Aos 35 anos, casado, pai de uma menina e à espera de seu segundo filho, o zagueiro Cribari, com passagem por grandes clubes da Europa, está afastado dos gramados e não sabe se voltará a jogar
IMG_2700.JPG

Emílson Cribari é brasileiro, nascido em Cambará e criado em Londrina, mas, ao contrário do que parece, não leva a Itália apenas no sobrenome. Foi lá que o zagueiro construiu sua carreira como jogador de futebol, quando aos 18 anos deixou o Brasil em busca de um futuro melhor no esporte. Dezesseis anos depois, Cribari está de volta à Londrina com uma bagagem repleta de títulos e realizações, entretanto, com um futuro incerto. Ele fala sobre isso e muito mais na entrevista a seguir.

Jornal da Gleba - Como você começou a jogar futebol?
Emílson Cribari - Comecei na UEL. Havia professores que davam aulas ali. Eles me acharam no Jardim Bandeirantes e me levaram para lá. Com 14 anos, fui para o Londrina, time em que joguei até os 17 anos. De lá, fui para o Empoli, na Itália.

JG - Como você chegou a jogar na Itália?
EC - Meu sobrenome, Cribari, vem do meu bisavô que nasceu na Itália e, assim, consegui tirar minha cidadania italiana. Quando completei 18 anos, fui para lá fazer testes.

JG - Como foi sua passagem pelos clubes italianos?
EC - No primeiro teste que fiz, no Empoli, eu passei e assinei meu primeiro contrato. Lá, joguei por cinco temporadas, duas no time de juniores e três no profissional. Foi lá que "estourei". Do Empoli fui vendido para o Udinese, em que fiquei uma temporada só, principalmente por conta de uma lesão grave no joelho esquerdo. No ano seguinte, fui comprado pelo Lázio e lá fiquei por cinco temporadas. Então, começou a pesar a distância. Já eram dez anos na Itália, eu tinha atingido um patamar alto lá, de Champions League, quase cheguei à Seleção Brasileira. Com o passaporte italiano fui convocado para a Seleção Italiana. Mas tinha vontade de me aproximar novamente de casa e comecei a pensar em voltar. Mas, antes disso, ainda tive uma passagem pelo Napoli, até chegar ao Cruzeiro, em 2011.

JG - E como foi retornar ao Brasil?
EC - Foi uma decepção. Um choque cultural muito grande. Uma adaptação difícil e um profissionalismo diferente daquele a que estava acostumado. Aqui, vivi de raros bons momentos, mas não tive o resultado que queria. Durante 13 anos, fiquei com vontade de voltar para cá, fiquei um ano aqui e deu vontade de voltar para lá. E foi isso que aconteceu. Fui para a Escócia, jogar no Rangers. 

JG - Qual foi a maior realização que o futebol proporcionou a você?
EC - A maior realização foi a Champions League, porque maior que ela só a Copa do Mundo. Aquele hino, a atmosfera, jogar contra o Real Madrid, para mim foi como um prêmio pessoal. 

JG - Você foi muito vitorioso lá fora. Sente falta de não ter feito o mesmo no Brasil?
EC - As duas maiores frustrações que tenho foram não ter chegado à Seleção Brasileira e o fato de não ter conseguido mostrar o meu valor aqui no Brasil como consegui lá fora.

JG - O Rangers foi seu último clube, ou você ainda pretende voltar a jogar?
EC - Agora começou a pesar para mim os 16 anos de carreira, a pesar nas pernas mesmo. Minha esposa ficou novamente grávida; então, estou num momento de decidir se continuo a jogar ou se me aposento, mas tenho muitas portas abertas para mim lá fora.

JG - Como é ficar afastado dos gramados?
EC - Sinto muita falta do vestiário, do contato com os companheiros e da adrenalina do jogo, da sensação pós-jogo, da sensação da vitória, da frustração da derrota. Mas acredito que são coisas que, como atleta, não importa se eu parar agora ou daqui a 10 anos, vou sentir falta para sempre.

Carol Ferezini

Busca