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17/12/2014
José Gonçalves
Radicado em Londrina, o artista plástico paulista é expoente da arte contemporânea no Brasil e no exterior
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Nascido no interior de São Paulo, José Gonçalves descobriu a paixão pela arte ainda na infância. Mas, antes de seguir por esse caminho, formou-se em arquitetura. As obras dele são um reflexo dessas duas áreas, com obras criativas e inusitadas que mesclam as variadas facetas do artista.

Jornal da Gleba: Como começou a sua paixão pela arte?
José Gonçalves: Sempre gostei de desenhar, desde criança. Criava meu mundo no desenho. E minha irmã mais velha desenha muito bem; sempre olhava os desenhos dela. Meu pai também me incentivava, minhas tias me davam material de desenho. O ambiente ajudou o meu desenvolver com as artes plásticas. Com 11 anos, fiz aula de pintura, porque minha irmã também fazia. Nas aulas, tinha muita cópia, não era muito minha praia. Fiz um ano só. Porque o bom da arte é criar... As aulas são bacanas, mas você pode criar em qualquer lugar.

JG: Por que você escolheu cursar arquitetura?
JG: Sempre gostei de arquitetura e, para fazer o curso, você tinha que saber desenhar também. E, naquela época, no fim da década de 70, a visão que tinham do artista plástico era a pior possível, era sempre aquele à margem da sociedade, que nunca deu certo. Então, os pais viam a arte mais como um passatempo para criança. Mas o bacana disso é que depois que comecei a trabalhar com arquitetura, percebi que abriu espaço para esse lado da arte. Por eu ter feito arquitetura, meu trabalho com as artes foi até reconhecido logo de cara.

JG: Como aconteceu a transição das artes para a arquitetura?
JG: Trabalhei com arquitetura durante uns três anos, mas chegou uma época em que vi que não dava retorno. Comecei a fazer quadros para o meu apartamento. Os amigos olhavam, gostavam e compravam. Então, percebi que tinha um mercado, que podia sobreviver com isso. Aí participei do Salão Banestado, um espaço bem conceituado. Acabei ganhando e isso também abriu as portas. Outros lugares em que eu tinha pedido exposições foram super- receptivos. E assim começou a minha história.

JG: Você percebe que a sua arte reflete fases da sua vida?
JG: Sim, o tempo inteiro. Apesar de que, no conjunto, acaba parecendo uma coisa só, porque muitas vezes eu trabalho num quadro um tempo e, depois, deixo um pouco de lado, para ele respirar e para eu também ficar um pouco mais livre dele, para vê-lo de outra maneira. Mas eu faço isso o tempo inteiro, estou trabalhando com figurativo, aí saturo, começo a fazer abstratos, eu sempre doso. Chego no ateliê para trabalhar e sou atraído pelo quadro; quando percebo, estou fazendo um, estou fazendo outro, eles acabam direcionando o trabalho.

JG: Como está a fase atual das suas obras?
JG: Essa nova fase está bem colorida, bem dinâmica. Recortei imagens que gosto de revistas, de jornais, de várias mídias. Pego essas imagens e vou sobrepondo, coloco em cima de outras, vou montando aleatoriamente. Depois, vou enquadrando. O bacana é que muitas vezes surgem quadros que eu jamais faria. 

Helene Ayoub Franzon

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