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16/02/2021
Pornografia e internet


Apesar de constrangedora para alguns, a temática traz dúvidas ou dificuldades mesmo para aqueles que se sentem maduros para o sexo, adultos e pais de adolescentes, estes últimos principalmente durante a pandemia.

Nem todos que consultam material pornográfico são pervertidos ou viciados em potencial. Acessos eventuais por curiosidade, inspiração, diversão ou até preguiça de procurar novos parceiros fazem parte da vida. Obviamente, não me refiro aos desvios como pornografia infantil e parafilias (fantasias ou comportamentos frequentes, intensos e sexualmente estimulantes que envolvem objetos inanimados, crianças ou adultos sem consentimento, ou o sofrimento ou a humilhação de si próprio ou do parceiro). Além disso, não cabe aqui avaliar a qualidade desses materiais ou ainda a polêmica sobre a indústria pornográfica e seus impactos.

Atentemos apenas aos campos neurobiológico e comportamental. A consulta à arte pornográfica pode ser utilizada como um “meio para” e não um substituto para a vida real. Caso isso ocorra, a prática é nociva e pode evoluir para um vício. O cérebro dos que consomem muita pornografia, na maioria homens, funciona da mesma forma que o cérebro dos viciados em drogas.

Para os interessados nessa temática, o ponto-chave é a frequência, a necessidade dos acessos e mudanças no comportamento sexual que afetem seu relacionamento. Esse é o indicador para saber se o limite da simples curiosidade ou interesse foi ultrapassado.

O vício em pornografia denuncia quase que o contrário do que se pensa; ocorre uma dificuldade de sustentar a própria libido com fantasias baseadas na memória, imaginação ou trabalho da percepção. Trata-se da incapacidade de se olhar para uma roupa que “quase mostra”, esconde um pouco, e, a partir daí, navegar numa dimensão criativa, nas fantasias. Comparo isso a um parque de diversões, que é bom também, mas se ele substituir a vida real, não se fará contato com os desafios da conquista do objeto de desejo e de como seria essa interação.

As consequências para os homens, incluindo os jovens, é a não ereção, falta de capacidade ou desejo de sexo com quem quer que seja, mulher ou homem “reais”. Só sentem prazer com masturbação diante de um material pornô, pois na maioria das vezes é uma situação privada e totalmente controlável. Quanto mais novo e inexperiente for o homem, pior será ao enfrentar a situação real, pois houve pouco ou nenhum contato prévio com o sexo de fato.

Na relação real, há troca de olhares, sintonias e intensidades diferentes do virtual. Os corpos são reais, o toque, aromas, vozes, e variam de acordo com o (a) parceiro (a), mas a autocobrança pelo desempenho ou o corpo “igual ao que se vê” não acontece, pois é virtual e não real.

Nas mulheres, o impacto é certeiro na autoestima diante desses episódios de não satisfação; elas não se sentem desejadas pelo parceiro e receiam estarem sendo traídas ou temem pelo fim da relação.

O que você está comendo para alimentar sua fantasia: junk food ou slow food?

 

Por Liliane Nunes

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