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13/11/2014
Tadeu Machado
Um grande mestre na Palhano
Com títulos nacionais e internacionais, um mestre ensina filosofia de vida por meio do caratêperfil 2.jpg

Após a tentativa frustrada de praticar algum esporte que envolvesse bola, aos 17 anos o Mestre Paulo Tadeu Oliveira de Almeida Machado, conhecido como Tadeu Machado, iniciou sua carreira no caratê e nunca mais parou. A explosão dos filmes de artes marciais, na década de 1970, mais a admiração por lutas foram os principais estímulos que o levaram ao caratê. Com 41 anos de prática da arte marcial, 26 destinados a competições e cinco anos como professor, os títulos não são poucos. Dentre eles, o de Campeão Pan-Americano por equipe, em 1985, e o de Campeão Brasileiro, em 1991, fazem dele muito mais do que um professor e de suas aulas muito mais do que técnicas. Para ele, que também é médico veterinário, o caratê sempre esteve em primeiro lugar, tendo dedicado sua vida à filosofia da arte marcial. Em 2009, fundou sua academia na Gleba. Confira a entrevista: 

Jornal da Gleba - O que o caratê tem de diferente em relação às outras artes marciais?
Tadeu Machado - O caratê prepara o físico e aperfeiçoa o psicológico para diversas situações.  Essa arte acompanha as fases da vida, como a preparação para a fase inicial da luta, para a fase produtiva e para a fase de decadência.  A máxima de ética do Dojô, os lemas e os cinco princípios do caratê, dirigidos pela filosofia Shotokan, propõem um modelo de vida, com valores como respeito, equilíbrio, postura, meditação e, principalmente, ética de luta. A competição é apenas uma das fases do caratê. 

JG- Quem foi o grande mestre em sua vida? Por quê? 
TM - O grande mestre da minha vida foi o professor Norio Haritani. Eu o conheci por intermédio de um amigo, no começo da minha experiência com o caratê, e ele me marcou muito. O professor Norio era um mestre muito rígido, com técnicas firmes e muita habilidade. Ensinou-me o modelo Shotokan, o direcionamento da filosofia japonesa da arte, princípios que sigo até hoje. 

JG- Você acha que o caratê tem espaço no modelo MMA? Qual? 
TM - Sim, o caratê tem um bom espaço e importância dentro do MMA. O UFC é um exemplo. Essa competição, por ser um mix de técnicas e escolas, demonstra que uma técnica não é tudo, mas sem uma delas é possível perder.  Assim, só com técnicas de caratê não é possível competir no modelo MMA, mas, sem as técnicas da escola japonesa, a perda é muito provável. 

JG- Você acha que existe moda de artes marciais? Qual é a próxima tendência?
TM- A moda acontece quando há um forte marketing em cima de alguma arte ou o reconhecimento de um grande lutador. O UFC alavancou muito com a explosão de um modelo vale tudo, que aqueceu a indústria de competições. O UFC cairá em desuso e a próxima tendência é o boxe. Por ser olímpico e ter investimento, logo voltará com tudo. 
 
JG- Há projetos para a academia?
TM- Desejo aumentar a turma, que atualmente está entre 20 a 30 alunos, para 60. Tenho vontade de direcionar uma turma apenas para crianças, criando uma forma de Karatê Kid e desenvolver o lúdico com as técnicas e filosofia do caratê. 

 Milene Pascoal

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