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12/10/2020
A arte de empreender com muito estilo e talento

“A gente tem de ter confiança e ousadia; se não tiver, não pode ser empreendedor. Sempre tive ambição e penso no crescimento, em investir; penso em dar trabalho para o outro. Quando você pensa em dar trabalho a alguém, quando pensa no ganho do outro e não apenas no seu, as coisas fluem e tudo acontece.”

Nando Freitas

 

Ter o próprio negócio e se tornar um empreendedor de sucesso é o sonho de grande parte dos brasileiros; porém, na maioria das vezes, alcançar essa meta exige bastante esforço, além de resiliência e muita coragem. Foi o que Nando Freitas comprovou em seu primeiro negócio. Após 12 anos de sucesso como um dos sócios da Iódice, em Londrina, a loja não conseguiu superar um momento difícil do mercado; foi preciso fechar e desfazer a sociedade.

Mas Nando não desistiu e, depois de um período de análise e reflexão, decidiu voltar a empreender, agora ao lado do marido, o hair stylist Diogo Guerra. A parceria deu tão certo que hoje eles possuem o salão mais badalado da cidade e estão prestes a abrir a segunda unidade, em meio à pandemia.

Contudo, Nando é um empresário inquieto, movido a paixões e desafios; então, não se deu por satisfeito em focar somente na nova unidade do salão. Em meio às obras, resolveu estudar, tirar o CRECI-PR, abrir um escritório e fazer história na área de vendas de imóveis de alto padrão. Saiba mais na entrevista a seguir.

Por que a loja da Iódice precisou ser fechada?

Encerrei as atividades da loja em 2016. Foram 12 anos. A marca já não ia bem e a indústria têxtil estava sofrendo muito naquela época. Houve o derretimento de várias marcas, e a Iódice foi pelo mesmo caminho. Os custos estavam altos e a conta não fechava mais.

Como foi lidar com isso?

A Iódice sempre foi um sonho. Eu ia para São Paulo, passava na frente da loja do shopping Iguatemi e falava: “Um dia vou ter essa loja em Londrina”. Quando a gente realmente quer algo, a gente consegue. Eu era moleque ainda, tinha vinte e poucos anos. Nessa idade, a cabeça é de sonhador e muitas vezes não tomamos as decisões certas. Ir para a loja já não era bom, era pesado. Dois anos antes do fechamento, vinha percebendo que aquele sonho tinha acabado. Eu queria uma vida nova. Quando fechei o empreendimento, já estava muito bem resolvido na minha cabeça. Não foi do nada. Era algo que estava desgastado. Foi um peso que tirei das minhas costas.

A loja me trouxe bons frutos, amigos, permitiu que eu fizesse uma cartela de clientes, me deu um business maravilhoso, foi melhor do que muitas faculdades. Só que acabou. Peguei ali o que tinha de bom. O que tinha de ruim, eu enterrei.

Como surgiu a ideia de montar o salão?

Comecei a namorar o Diogo; ele tinha chegado em Londrina havia um ano e trabalhava em um salão. Eu estava na busca de empreender algo novo. Ele estava insatisfeito trabalhando como funcionário. Então, resolvemos nos unir e montamos um salão. O Diogo veio de São Paulo com toda uma bagagem, levou os clientes dele e eu levei meu know-how. Cuidei do administrativo e da parte social e ele fazendo cabelo, que é o talento dele. Começamos no Edifício Torre Pietra, com 140 metros quadrados e 12 funcionários. Passaram-se dois anos, o salão ia bem e decidimos ampliar. Fomos para a Rua Ademar de Barros, em um espaço de 600 metros quadrados.

Como foi realizar essa ousadia?

Quando locamos esse ponto enorme, muitos falaram: “Não façam isso. Vocês são loucos de partir para um ponto de 600 metros quadrados”. Só respondíamos: “Somos loucos, mas acreditamos”. Realmente, fomos ousados. Se seguíssemos o que as pessoas falavam, de repente ainda estaríamos lá, no salão menor, dentro de nossa zona de conforto.

Hoje, somos uma equipe de 70 pessoas dentro da empresa. Saímos de 12 para 70 por conta da ousadia. O Live Colours não existiria se toda essa equipe não acreditasse também. A gente acredita neles e eles acreditam na gente; é uma troca. Mudamos para lá no começo de 2018 e, hoje, temos mil metros quadrados de espaço.

De onde surgiu esse talento para vendas e para empreender?

Veio do menino simples, que saiu da cidade pequena, Ivaiporã, e viu que tinha um mundo para ganhar. Desde pequeno, eu vendia tudo. Com 15 anos, comecei a trabalhar de carteira assinada em uma loja de tecidos. Mudei para Londrina em 1998. Trabalhei como vendedor de loja na Ellus, me tornei gerente e depois assumi a sociedade na Iódice e na Ópera Rock. Estou com 43 anos e continuo apaixonado por vendas.

Quando surgiu seu interesse por venda de imóveis?

Há mais de 10 anos. Sempre gostei dessa área e pensava que um dia seria um corretor de imóveis. Toda vez que vou a Miami, Nova York, grandes centros, saio para visitar imobiliárias e ver imóveis. Fuço tudo. Quero saber sobre o preço do metro quadrado, tendências, regiões, etc. Quando fui tirar o CRECI foi fácil porque eu já sabia muito. Sempre fui curioso sobre esse assunto.

Você decidiu trabalhar apenas com alto padrão. Por quê?

Não vendo aquilo em que não acredito. Não pego um empreendimento para vender se não gostar. Quando você vai trabalhar com imóveis, seus olhos têm de brilhar. Vivo nesse meio, minha rede de relacionamentos está nesse nicho; isso facilita, pois estou sempre conversando e convivendo com essas pessoas. É mais fácil vender uma casa de um cara que mora no Royal Golf, por exemplo, pois estou sempre conversando com pessoas que desejam algo parecido. Para mim, o importante é você estar focado na sua rede de relacionamento.

Qual é o seu diferencial?

Trabalhar só com vendas de alto padrão e atender meu cliente do começo ao fim. Desde recebê-lo pra tomar o primeiro cafezinho até finalizar a venda com ele em um cartório, sabendo que está tudo perfeito. Não peço para alguém atendê-lo. Cuido do meu cliente do início ao fim, tanto o cliente da compra quanto o da venda.

 

Pretende abrir uma imobiliária?

Por enquanto, não. Quero focar nesse modelo de negócio especializado e direcionado. Hoje, tenho uma parceria com a Plaenge e com a Galmo. E estou aberto a negociações e parcerias com empresas que tenham produtos para esse público em que estou focado.

Qual dica daria para quem quer empreender?

Comece pequeno. Seus sonhos devem ser grandes, mas comece pequeno. Vá crescendo aos poucos, adquirindo experiência de mercado e perceba se você domina essa área. Comece pequeno para se tornar alguém grande no futuro. Não inverta essa ordem.

 

 

Por Talita Oriani

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