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12/09/2020
Comendo a grande maçã


            Esses dias montei um brunch. Era sábado, o dia típico. Tudo muito americano: ovos, bacon em tiras, embutidos, pães, queijos, geleias, doces e a famosa mimosa. Um drink refrescante feito de modo bem simples, junta-se suco de laranja e espumante. É uma delícia!

            A família toda gastou uma longuíssima hora debruçada, comendo em letargia. Saboreando o tempo livre, a comida pesada, a mesa posta e uns aos outros.

            Tive esse ímpeto ao ler COMENDO A GRANDE MAÇÃ ? Uma viagem gastronômica por Nova York ?, escrito pelo jornalista e escritor Daniel Buarque (Memória Visual, 2011). Trata-se de um guia gastronômico da cosmopolita Big Apple. Mas não é só isso. Não, não é. Daniel conta os hábitos dos nova iorquinos, assim como um pouco da história dessa cidade frenética e multicultural. Adorei o livro. Descobri muitas informações por mim desconhecidas. E desvendei aquele estereótipo de que americano só come em lanchonetes do tipo fast food. É um livro curioso, bonito, bem escrito, detalhado. Dá vontade de comer a grande maçã.

            Essa leitura me fez voltar ao começo deste ano, quando a pandemia ainda era um assunto meio obscuro no Brasil, como se ouvíssemos falar de algo distante e meio irreal. Fui para Nova Iorque. A cidade estava no início do corona. Eu, meu filho mais velho e minha mãe acomodados no metrô, conhecendo as mil e uma atrações, empolgados pelas luzes infinitas e passando álcool em gel a todo instante.

            Quero voltar. Se pudesse, como Daniel fez, morando seis meses por lá. Dá para ver que o livro que ele escreveu é resultado de pesquisa e, principalmente, de suas experiências. Que revelam muito mais do que o famoso ouvi-dizer-que-é-assim. Não, ele testou, ele percorreu o dia a dia nova-iorquino, olhou para seus habitantes com um vislumbre de curiosidade, sem preconceito, e mergulhou na verdadeira comida que a cidade oferece.

            Aprendi sobre Nova Iorque, abandonei estereótipos, conheci os verdadeiros hábitos alimentares da cidade, rememorei a viagem deliciosa que fiz no início do ano, descobri um novo drink e montei um brunch americano. Tudo isso por causa de um livro que li.

            Por falar nisso, dizem que um livro mexe verdadeiramente com você quando o autor sai do ?diz que não diz? sobre algo e conta das suas experiências acerca desse assunto. Não sei se isso vale para todos os livros. Desconfio que sim. E vale também para as conversas entre as pessoas. Talvez mais ainda.

 

 

 

Beijo,

Kelly Shimohiro

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