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15/06/2020
A quarentena e os espaços

A quarentena e os espaços

Se há algo, no período pós-pandemia, que não poderemos negar é que ela trouxe mudanças estruturais em diversas áreas de nossas vidas. Questões relacionadas à higiene, comportamento, alimentação... Em tudo haverá alterações.
Muito tem se falado sobre as casas e o novo relacionamento com nossos lares. Mas, de fato, como isso se dará? A resposta, na verdade, ainda é uma incógnita. O que temos em mãos por enquanto são apenas alguns indícios.
A logística e a distribuição dos ambientes das casas, como conhecemos hoje, são frutos de anseios da sociedade contemporânea e resultado de evolução histórica – a arquitetura é uma representante do contexto humano de determinada época.
Atualmente, ambientes totalmente abertos e integrados estão no topo da lista de desejos da maioria dos clientes (o famoso “gosto comum”). Realmente, há ganhos de flexibilidade e sensação de amplitude com tal decisão.
O que o confinamento pôs à prova é se essa solução realmente atende a todas essas pessoas. A exigência de nos adaptarmos para trabalhar em home office abriu um leque de necessidades que nós mesmos desconhecíamos. Trabalhar eventualmente em casa poderia ocorrer com seu notebook na mesa de jantar, mas passar dez horas entre reuniões on-line e produção pede ergonomia, iluminação e acústica corretas.
Os materiais e acabamentos também sofrerão adaptações. A casa, ao ser utilizada por mais gente durante mais tempo, mostra o desgaste das superfícies e demandas de manutenção ainda desconhecidas por muitos.
No próprio layout, que julgávamos adequado, percebemos algumas falhas quanto à claridade, ventilação, disposição dos móveis e, o principal, quanto à proporção deles: ora sobrando espaço, ora faltando.
Como ficou o canto da leitura? O sofá para maratonar séries é mesmo confortável? O espaço para malhar na sala é suficiente?
Ficou nítido como novas necessidades de utilização dos espaços vão alterar as solicitações dos clientes daqui para frente. A frase é clichê, mas não existe uma receita pronta do que é correto ou não para essa situação.
O sucesso do projeto e o desfrute dos usuários continuarão no maior alcance possível das expectativas deles, mesmo que sejam diferentes do que fomos acostumados até o momento. Isso serve também para os ambientes profissionais, corporativos, comerciais e de serviços.
De forma geral, acredito que as pessoas focarão mais na qualidade do que na quantidade, em todas as áreas. O importante é o essencial. Ao entender que o excesso é totalmente supérfluo, sentimo-nos liberados para aproveitar o que os momentos e as pessoas importantes podem nos trazer de verdadeiro, de felicidade.
Novo momento, nova realidade, novos lares.


Por Leonardo Sturion

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