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16/08/2019
Frequência de acidentes na Avenida Ayrton Senna preocupa moradores

Frequência de acidentes na Avenida Ayrton Senna preocupa moradores


Nos últimos meses, esse tipo de cena tem sido comum naquela região, que possui faixa de pedestre sinalizada


Na última semana de julho ocorreu mais um acidente na Av. Ayrton Senna da Silva, no sentido de quem vai para o Shopping Catuaí, na altura da Panetteria Palhano. Dessa vez, um motoqueiro bateu na traseira de um carro e ficou seriamente ferido. Nos últimos meses, esse tipo de cena tem sido frequente naquela região, que possui faixa de pedestre sinalizada.


Segundo Vânia Alves, que mora em um condomínio com vista para a avenida, alguma atitude precisa ser tomada antes que ocorra um atropelamento. ?Não podemos esperar alguém ser atropelado, ou morrer, para fazer alguma coisa. A frequência de acidentes naquele trecho aumentou muito. Quase todos os dias, vejo carros em alta velocidade, freadas bruscas ou batidas. Tem alguma coisa errada ali, mas como não sou especialista na área não posso dizer o que é; sei que não faz sentido, em uma subida, ocorrer tanto problema?, diz.


A moradora chegou a entrar em contato com o IPPUL e, ao questionar sobre o porquê de não colocarem um elevado naquela parte, o atendente lhe informou que não poderia, pois a região contém aclive/declive. Fizemos contato com o IPPUL, mas, até o fechamento desta edição, eles não tinham nos dado um retorno sobre o que poderia ser feito no local.


Conversamos, então, com o engenheiro civil Márcio Meranca, morador do bairro e interessado nas questões de trânsito e urbanismo, para entender um pouco mais o que pode estar ocorrendo no local. ?A Avenida Ayrton Senna apresenta uma situação de grande risco à sociedade, principalmente aos pedestres; ela é um chamado à velocidade. Duplicada, bem iluminada e sinalizada, a Avenida Ayrton Senna convida fortemente o motorista a acelerar. Ora, quando o motorista acelera, naturalmente reduz sua capacidade de reação. Seu campo de visão fica limitado à própria rua e acaba não dando a devida atenção ao entorno, como calçadas, carros saindo de prédios, rotatórias e faixas de pedestres, por exemplo, além do grande volume de veículos que ali trafega. Observe que, na comparação, em locais com velocidade relativamente limitada, como condomínios e bairros residenciais de baixa densidade, o índice de acidentes é extremamente baixo. Não somente esse caso, mas outros, na cidade, têm o mesmo problema. A origem do problema é, sem dúvida, a liberdade de acelerar?, revela Meranca.


Com relação à informação de que não há possibilidade de criar uma lombada ou um elevado na região, o engenheiro não verifica a inviabilidade. ?Honestamente, desconheço a inviabilidade técnica de se executar uma lombada, ou faixa elevada, como se relata; contudo, deve-se conferir a legislação vigente, para que o tráfego na região não seja prejudicado, e, principalmente, para que a solução encontrada permita, de fato, uma travessia segura aos pedestres?, diz.

 

Questionado sobre qual seria, em sua opinião, uma solução adequada para a região, o engenheiro comenta que, a curto prazo, poderia ser a colocação de semáforos para pedestres. Já a longo prazo, ele avalia, seria uma mudança de visão. ?É necessário começar a projetar Londrina para pessoas e não somente para carros. Deixo uma sugestão de leitura muito boa para todos, especialmente para as autoridades: Cidades para Pessoas, de Jan Gehl?, conclui.

 

 

Por Talita Oriani

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