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13/05/2019
Transtorno de personalidade borderline

Transtorno de personalidade borderline

O transtorno de personalidade borderline é um distúrbio psiquiátrico que afeta até 6% da população mundial. Aparece principalmente em mulheres, sendo que os primeiros sintomas já surgem na adolescência e aumentam o risco  de suicídio, às vezes nem pela vontade de morrer, mas sim pelo comportamento suicida. 

Esse transtorno, cuja causa está relacionada à hereditariedade, é caracterizado por uma grande instabilidade emocional, própria e nas relações interpessoais, uma insatisfação com a própria imagem e com reações impulsivas frente à sensação e/ou à ideia de abandono, evoluindo para  um comportamento agressivo. Isso, aliás, é uma marca dessa doença: a pessoa não suporta o abandono ou mesmo a sensação, por ter uma grande dependência afetiva.

Esse medo do abandono acaba ocasionando ações agressivas, muitas vezes impulsivas, em relação a si mesmo, como a automutilação (cortes ou arranhões, queimaduras com cigarro pelo corpo) chegando até a tentativas e/ou ameaças de suicídio, e também a atitudes agressivas em relação a pessoas com as quais se relaciona, como namorados, familiares e amigos.

O comportamento autodestrutivo, característico desse transtorno, aparece nos gastos excessivos de dinheiro, na alimentação compulsiva, ou no abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas, e também na busca por sexo de maneira promíscua, com vários parceiros, sem preservativo, e até na forma de dirigir imprudentemente. Todos os excessos são realizados na tentativa de amenizar a sensação de vazio que sentem constantemente, todo o tempo.

O diagnóstico desse distúrbio muitas vezes acontece durante a procura do psiquiatra para tratamento de uma depressão ou de alguma doença ligada à ansiedade, pois são doenças sempre presentes na pessoa que tem uma personalidade borderline. O tratamento eficaz é realizado por meio de um medicação diária, prescrita pelo psiquiatra,  com antidepressivos, associados a estabilizadores de humor e a alguns ansiolíticos, se necessários, no início do tratamento.

Além de acompanhamento e tratamento com psicólogo, semanalmente, atividades físicas diárias são primordiais para a estabilidade do quadro e a boa qualidade de vida da pessoa. O comprometimento desse transtorno não é apenas pessoal; faz sofrer todo o meio com o qual se relaciona, com grande prejuízo familiar, social, profissional e do relacionamento afetivo, o que acaba agravando o transtorno.

 

 

João Antônio Rodrigues, médico psiquiatra.

@joaoantonio.psiquiatra

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