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17/02/2019
Perigo e poluição visual - Cabos e fios de baixa e alta tensão violam o aspecto estético e de segurança das redes aéreas

Do caos, espera-se solução

Mário Jorge de O. Tavares (*)

Durante o Sistema Telebrás (1972 a 1998), todas as concessionárias do serviço telefônico fixo comutado (STFC) passaram a adotar padrões uniformes de especificações, de equipamentos e de procedimentos, além de indicadores da qualidade oferecida pelos seus sistemas. 

No caso específico de rede aérea, a recomendação geral era que os cabos (condutores de cobre) aéreos tivessem, no máximo, 200 pares. Para cabos de maior capacidade (até 3.200 pares),  adotava-se a rede subterrânea (de muito maior custo do que o das redes aéreas). 

Em comum acordo com as concessionárias de energia elétrica (normalmente, proprietárias dos postes e a quem caberia fiscalizar sua utilização, já que cobram aluguel por seu uso), adotava-se a altura mínima nas calçadas de cabos e fios telefônicos (que ficavam abaixo dos de energia elétrica), de 4,8 m, e nas travessias de ruas urbanas, de 5 m. Calculava-se a tração dos cabos mensageiros em função da resistência dos postes e adotava-se a catenária (flecha) da ordem de 10% da distância entre postes etc. Além disso, foi definido o afastamento mínimo entre os cabos e fios telefônicos dos cabos de energia elétrica de baixa e alta tensão, observando-se não só os aspectos de segurança das redes aéreas como os estéticos.

Com a privatização (não querendo entrar aqui no mérito de suas vantagens e desvantagens) das telecomunicações, tais postes passaram a ser disputados, não só pela concessionária, como pelas demais operadoras (a Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações, chegou, inclusive, a cogitar o compartilhamento de redes e demais infraestruturas), considerando haver outros interessados nos postes, como TV a cabo, cabos de semáforos, monitoração de trânsito etc. Isso normalmente deve constar em contratos de compartilhamento de postes, com a definição das responsabilidades das partes etc., para evitar a proliferação e emaranhado caótico de cabos e fios de diferentes serviços, sem observância das recomendações anteriores, já citadas, cujo resultado,  salta aos olhos. 

Tal situação caótica não passou desapercebida pela Anatel. Em conjunto com a Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, lançou, em 2018, consulta pública para obter sugestões sobre compartilhamento de postes, visando aprimorar, disciplinar e fiscalizar tal situação. Desse caos e poluição visual, espera-se uma solução racional e adequada para todos os envolvidos.

 

(*) Especialista em Administração e Telecomunicações

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