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17/01/2019
Árvore da discórdia deve ser erradicada - Plantada incorretamente na Gleba Palhano, a Ficus benjamina destrói tubulações, calçadas e asfalto
Ficus benjamina: linda, frondosa e perigosa
Árvore exótica cresce e danifica calçadas e tubulações subterrâneas 

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Nestes dias de verão, em que a temperatura média ultrapassa facilmente os 30°C, percebemos a importância das árvores espalhadas pela Gleba Palhano. Além de nos presentear com sua beleza, as árvores nos dão a sensação física e psicológica de maior qualidade de vida. Mas os benefícios não param por aí. Locais mais arborizados apresentam temperatura mais baixas do que regiões expostas ao sol e essa diferença pode chegar a até 5°C. Elas também ajudam a aumentar a umidade do bairro, porque, quando transpiram, liberam água para o ambiente. Além disso, combatem a poluição sonora e tiram do ar a poeira e o excesso de carbono. 
Infelizmente, às vezes, essas preciosas colaboradoras de nosso bem-estar começam a provocar 
transtornos por serem da espécie errada no local errado, danificando o calçamento e as tubulações de água e esgoto, por exemplo. Morador da Gleba Palhano, o aposentado Mário Jorge Tavares ficou espantado ao ver algumas árvores sendo cortadas e substituídas por novas mudas em local próximo à sua residência: “É de doer o coração ver essas árvores cortadas. A prefeitura deveria orientar melhor as pessoas e as construtoras a cultivar a planta certa no espaço público; assim, se evitaria que essas árvores inapropriadas crescessem e causassem avarias nas calçadas e no asfalto das ruas. Por que deixar a árvore crescer para depois cortar?”, pergunta.  
Contudo, foi o que aconteceu no edifício Sun Flowers (Rua João Wyclif, 405), um dos primeiros condomínios construídos na Gleba Palhano. Nove árvores, da espécie Ficus benjamina,  precisaram ser derrubadas para dar espaço a novas mudas, mais indicadas para o terreno. De acordo com o síndico Airton Ferrarezi, foi sugerido ao condomínio que entrasse com processo na Secretaria do Meio Ambiente para erradicação dessa espécie na arborização pública, uma vez que se trata de planta que provoca muitos transtornos quando plantada em áreas urbanas. 
Originária do sudeste asiático, a Ficus benjamina adaptou-se muito bem às características geográficas da região Norte do Paraná, rica em água subterrânea e com temperatura perfeita para o crescimento acelerado da planta. A Ficus benjamina é uma árvore que chama a atenção pela beleza e pelo sombreamento que proporciona, sendo apropriada apenas para decoração de ambientes internos ou para grandes áreas abertas, como parques e fazendas. Tem por característica o caule acinzentado, folhas brilhantes, ramos pêndulos e grande raízes, parte delas ficando para fora do solo. 
Porém, por desconhecimento dos danos que causa nas áreas urbanas, a Ficus acabou sendo plantada em locais impróprios, como calçadas, ruas e próxima a muros e construções, na Gleba Palhano e em outras áreas de Londrina. Na natureza, chega a alcançar até 30 metros de altura. Na cidade, a árvore também se desenvolve com muita rapidez e suas raízes agressivas procuram, de todas as maneiras, uma fonte de água em locais cada vez mais profundos, chegando a penetrar tubulações de água e esgoto. Em alguns casos, já foram encontradas raízes de Ficus dentro de vasos sanitários. Calçadas, asfalto e meios-fios também são destruídos pelas raízes da planta.
As árvores erradicadas do edifício Sun Flowers, por exemplo, foram plantadas há mais de 10 anos, ou seja, antes da Lei Municipal nº 11.996, de 30 de dezembro de 2013 e do Decreto Municipal nº 305, de 12 de março de 2015, que fazem parte do Plano Diretor de Arborização do Município de Londrina. Contudo, o gerente de áreas verdes da SEMA, Ocimar Toroko, explica que, mesmo antes do Decreto e da Lei Municipal, ou seja, desde 1995, a árvore já estava proibida de ser plantada em áreas públicas. “Foram plantadas à revelia da orientação dada pela Prefeitura”, diz.
Edifícios e casas da região da Gleba Palhano, que possuem a Ficus benjamina plantada em sua área externa, podem solicitar à SEMA o protocolo de erradicação. Outras espécies proibidas para o plantio em Londrina são: o Amarelinho, a Goiabeira e a Leucena (comum em nossos fundos de vale). Árvores nobres como a Peroba Rosa e a Araucária também não são indicadas para o plantio na calçada. 
A SEMA sugere o cultivo de árvores como Oiti,  Escova de Garrafa,  Resedá, Manacá da Serra, Pata de Vaca, Cerejeiras Rosa e Branca e as variações de Ipês, como o roxo, o amarelo e o rosa. As mudas, para substituição da Ficus benjamina, podem ser solicitadas gratuitamente. Para isso, é preciso protocolar pessoalmente o pedido na sede da SEMA, de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas, na Rua da Natureza, 155, Jardim Piza, telefone 3372-4762. A retirada das mudas é feita no Viveiro Municipal. 

Rafael Montagnini

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