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11/10/2018
Como comprovar a atividade rural
Aposentadoria: quais documentos podem comprovar a atividade rural?

Muitas dúvidas surgem no momento de requerer a aposentadoria, inclusive quanto à documentação necessária e à possibilidade da utilização do tempo de trabalho rural, como empregado ou em regime de economia familiar, no pedido. Em muitas espécies de requerimentos, como no  de Aposentadoria por Tempo de Contribuição; Aposentadoria por Idade Rural e Urbana e Aposentadoria por Idade Híbrida, é possível a utilização e a averbação do tempo trabalhado na zona rural. 
Diante da dificuldade encontrada pelo segurado em construir todo um conjunto probatório, principalmente aquele relativo à atividade rural, a exigência de apresentação de farta documentação vem sendo atenuada pelo Judiciário brasileiro. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça proferiu entendimento acerca da não obrigatoriedade de que as provas materiais se refiram à totalidade do período rural que se pretende averbar, servindo apenas para corroborar e confirmar as provas testemunhais produzidas em audiência de instrução e julgamento.
Quanto aos documentos hábeis a comprovar o exercício de atividade rural, diversas são as alternativas: podem ser utilizadas as notas fiscais de venda da produção (em nome do pai do segurado ou do próprio segurado); a certidão de nascimento do segurado, constando profissão do pai como lavrador ou agricultor, bem como a de casamento dos genitores ou do próprio segurado, ou ainda as certidões de nascimento e de casamento dos demais irmãos. Também é possível utilizar a Carteira de Reservista (constando a profissão no verso); título de eleitor antigo; histórico escolar do período em que estudou em escola rural; registro de imóvel rural pertencente à familia; certidão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); declaração do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do local em que trabalhou, inclusive constando os dependentes; carteirinha do Sindicato Rural etc. Vale lembrar que nada impede a utilização de outros documentos que eventualmente o segurado possua, inclusive cartas antigas e recordações. 
Assim, vários documentos rurais podem ser utilizados para que o tempo de trabalho no campo seja incluído na aposentadoria (mesmo que sem contribuições, para os períodos anteriores a 1991), gerando uma majoração no coeficiente do benefício e possibilitando que o segurado se aposente de forma integral, ou seja, com 100%. 
Também é possível a utilização do tempo rural em pedidos de revisão de aposentadoria, gerando a oportunidade de averbação de períodos não computados durante o pedido de concessão. A majoração do tempo contributivo pode gerar o aumento do coeficiente de cálculo  (por exemplo: um segurado que se aposentou proporcionalmente com 85% pode vir a atingir os 100%) e também a minoração da incidência do fator previdenciário, em casos de Aposentadoria por Tempo de Contribuição. 

Renata Brandão Canella, advogada
www.brandaocanella.adv.br

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