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11/10/2018
Microfisioterapia: terapia do toque na pele, originária da França, tem cada vez mais adeptos no Brasil
O leve toque que desperta a memória corporal
A microfisioterapia busca descobrir, por meio do toque na pele, o trauma por trás do problema, estimulando o corpo a processar a autocorreção

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Sabe aquela ansiedade que incomoda você há anos? Ou aquela dor no pescoço que vira e mexe se repete? Segundo a microfisioterapia, essas sensações podem estar ligadas a situações causadas por acontecimentos de seu passado, como um trauma de quando você estava na barriga de sua mãe, ou uma situação tensa que você vivenciou na adolescência, por exemplo. Essas situações são identificadas por meio de um exame de tato realizado por um fisioterapeuta. Depois de apenas uma sessão, só com um leve toque das mãos do profissional e a reação de seu próprio corpo, os sintomas podem desaparecer, sem o uso de remédios ou auxílio externo.
Segundo a fisioterapeuta do Instituto Salgado, Patrícia Kodaka, nosso corpo automaticamente reconhece a lesão sofrida e, a partir disso, se trata. “Cada órgão tem sua função biológica e essa função está correlacionada com algo que a gente viveu. O estômago, por exemplo, está ligado ao que a gente digere. Mas não se trata somente da digestão de alimentos; refere-se, muitas vezes, à dificuldade de digerir determinadas palavras e situações. Nosso organismo tem uma memória própria, que é construída por meio de micromovimentos imperceptíveis de nossos órgãos e células. Com essa memória, podemos identificar as razões para a perda de vitalidade e descobrir o trauma que explica a origem de doenças e de vários sintomas que atrapalham a qualidade de vida. Uma vez identificada a causa, o corpo é estimulado a desencadear o processo de autocorreção, de maneira quase instantânea. É promovido um diálogo direto com a memória tecidual da pessoa, por via do apalpo, sem nenhuma utilização de medicamentos ou outro apoio”, conta. 
A aposentada Maria Ramos, 67, procurou a técnica devido ao estresse e a dores no ombro esquerdo. “Ao todo, fiz três sessões, mas, já na primeira, senti uma melhora muito grande na dor no ombro e no estresse. Dormi muito bem a semana toda e senti um bem-estar imenso. Após a terceira sessão, não tive mais episódios de dores no ombro e houve um total alívio do estresse”, comenta.
As principais indicações da técnica são para depressão, ansiedade, estresse, dores crônicas e também para pacientes que estão em tratamento contra o câncer, já que a terapia pode ajudar durante o processo. “No caso do câncer, a técnica contribui para que o paciente passe pelo tratamento de uma forma mais tranquila. Já tive uma paciente com câncer de mama, grau quatro, que fez a microfisioterapia durante o processo de quimioterapia. Após a finalização da químio, ela faria cirurgia, mas, quando fez os exames para marcar a operação, não havia registro de mais nada e não precisou realizar o procedimento cirúrgico”, revela.
A técnica foi criada no final da década de 70 pelos franceses Daniel Grosjean e Patrice Béninicarece. Já no Brasil, ocorreu em 2005 a primeira formação de especialistas na técnica, na qual o fisioterapeuta Afonso Salgado, fundador do Instituto Salgado em Londrina, foi pioneiro. Tornou-se também um dos responsáveis por difundir a terapia pelo restante do país.
A microfisioterapia é indicada para todas as faixas etárias, de bebês a idosos. Casos de insônia e hiperatividade nas crianças, inclusive, costumam ter uma resposta muito positiva com o tratamento. Esse recurso terapêutico, no entanto, de acordo com a fisioterapeuta Patrícia, não é indicado para gestantes, durante o primeiro trimestre da gravidez, e para pacientes que estão com a imunidade muito baixa ou que estejam muito debilitados.
São recomendadas de duas a quatro sessões, em um intervalo de 30 a 60 dias, dependendo do caso. Em uma sessão, o paciente geralmente já percebe a melhora. O valor da sessão é de R$350, em média.

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