Notícias

17/09/2018
Delícias em forma de pastel - Milton Pavan, um empresário que se tornou um marco no eixo gastronômico de Londrina
Muito mel neste pastel, ao longo de 38 anos...
O empresário Milton Pavan revela os segredos de sua trajetória de sucesso

perfil.jpegffff.jpeg

“Moreno”, “Loiro”, “Conde”, você reconhece esses nomes? Difícil nos depararmos com um londrinense que não tenha experimentado alguma dessas delícias em forma de pastel. Comemorando 38 anos este mês, com três lojas em Londrina (Av. Higienópolis, Aurora Shopping e Catuaí Shopping), o Pastel Mel se consagra como um dos locais mais charmosos e tradicionais da cidade quando o assunto é gastronomia. Mas qual será a receita para se manter na liderança por tanto tempo? 
Com o objetivo de descobrir um pouco mais dessa história de sucesso, o Jornal da Gleba foi conversar com o empresário Milton Pavan, sócio proprietário e fundador do restaurante. 

Jornal da Gleba – Como surgiu a ideia de criar o Pastel Mel?
Milton Pavan – Estava no terceiro ano do curso de direito, em 1974, quando abandonei a faculdade, vendi uma moto que eu tinha, comprei passagem só de ida para Londres e me mandei com 900 dólares no bolso. Estava bem aqui, em um escritório de advocacia, e levava jeito para o direito, mas queria ter outras experiências de vida. Sentia que o momento era aquele. Entre 1974 e 1978, fiquei me dividindo entre Europa e Brasil; trabalhei em vários setores para me manter. Ao retornar ao Brasil, definitivamente, trabalhei como modelo fotográfico e de passarela. Em 1980, surgiu a ideia de criar uma pastelaria, pois aqui a gente só encontrava os pastéis nos bares. Minha companheira, na época, tinha visto um modelo legal em São Paulo. Aí fui pra lá, vi a pastelaria, gostei e resolvi montar junto com dois sócios (que já não fazem mais parte do negócio). Estávamos no processo de criação da pastelaria, fazendo os pastéis doces, já que isso não existia em Londrina, e ainda mão tínhamos o nome do estabelecimento. Ao fazermos esses pastéis doces, um amigo falou que precisava ter um nome com rima, aí ele sugeriu o Pastel Mel, a gente curtiu e fechou nesse nome. Nisso também surgiu a ideia de batizar os sabores de pastéis com um nome.

Como o restaurante funcionava no início?
No começo, só trabalhávamos com pastéis, sucos e refrigerantes. Após algum tempo, resolvemos incluir as panquecas, feitas a partir de uma receita antiga familiar, da minha mãe. Depois de mais um tempo, fomos incluindo outros pratos, até chegar ao buffet de almoço por quilo na unidade da Av. Higienópolis.

Quais os produtos mais pedidos no Pastel Mel?
O pastel doce carro-chefe é o Moreno (pastel recheado com bombom sonho de valsa e massa coberta com açúcar e canela); ele existe desde o segundo ano do restaurante. Já na opção salgada, o carro-chefe é o Conde (pastel recheado com filé de frango, bacon e catupiry). A panqueca mais pedida é a de frango com catupiry.

Qual o segredo para se manter em Londrina, com sucesso, durante 38 anos?
O Pastel Mel já faz parte da tradição da cidade e isso é muito gratificante. Sempre recebemos o feedback de pessoas que moram fora de Londrina e retornam à cidade, dizendo que a panqueca e o pastel que comiam há 20 anos continuam com as mesmas qualidades e sabores. Isso, pra gente, é um tremendo elogio. Mantemos a mesma receita e qualidade há décadas. Acredito que manter a qualidade do produto é primordial.

Hoje, o Pastel Mel possui três lojas em Londrina. Além disso, você tem outros dois restaurantes, correto? Como consegue manter tudo isso?
Correto! Além das três lojas, sou sócio no restaurante Pão Nosso, que fica no Aurora Shopping, e também no restaurante privado da Bella Agrícola. Acredito que gostar do que faz, ter determinação e persistência são pontos primordiais para quem deseja ser empreendedor.
 
Quais dicas você daria para alguém que deseja seguir esse caminho?
Concluo que para empreender no Brasil é preciso ter muita coragem, determinação e persistência, além de um pouco de sorte. A inovação, hoje em dia, ocorre o tempo todo. Antigamente, não era assim. Além disso, acho primordial manter a qualidade do produto a ser servido. E um outro ponto que acredito ser um dos motivos de sucesso é a equipe. Tenho uma funcionária que entrou no Pastel antes de ser inaugurado, e uma outra que entrou na segunda semana. Também tenho funcionários que estão comigo há 15, 20 anos.  Portanto, a forma de convivência, tratamento e respeito com essas pessoas permite esses anos de sucesso. É uma troca. Eles são muito participativos. Não tratamos essas pessoas apenas como prestadores de serviço, mas como seres humanos. Eles entendem e sentem isso; por isso, acredito nessa longa jornada juntos.

Além da questão profissional, qual sua outra paixão?
Sou apaixonado pelos animais, especialmente pelos cachorros, pela forma como eles atuam em nossa vida e o sentimento que expressam na relação com a gente. A fidelidade do cão realmente me impressiona. Isso tudo fez que eu me integrasse à ONG SOS Vida Animal, em 1989, quando ela surgiu, e presidisse a instituição durante quatro anos.

O que é ser bem-sucedido para você?
Alguém que tem paz de espírito e que consegue compartilhar e ser útil para a sociedade, independentemente da sua empresa e daquilo que faz. Conseguir devolver o bem para a sociedade e para o próximo, por meio do engajamento em algo social. Alguém que se preocupa com o futuro, com o planeta e com a sociedade e não somente com a vida dele. 

Talita Oriani

Busca