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12/09/2014
Cerveja artesanal
A redescoberta da cerveja
Enquanto as grandes marcas se descaracterizam, pequenas cervejarias ganham espaço apostando na tradição

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Houve um tempo em que as grandes cervejarias do Brasil eram empresas separadas e lutavam pela conquista de cada consumidor. Era comum haver nos bares discussões sobre qual era a melhor marca e qual cerveja seria escolhida pela mesa. Mas, com a fusão das maiores marcas de cervejas no final do século passado, a qualidade diminuiu consideravelmente, como explica Otávio Basílio, um dos proprietários da loja Casa do Malte, especializada em cervejas artesanais e equipamentos para produção da bebida: "Antigamente, as marcas mais conhecidas eram concorrentes; hoje, elas são sócias. Além disso, a legislação brasileira permite que, na produção da cerveja, sejam utilizados 45% de grãos não maltados, como, por exemplo, milho e arroz. O malte tradicional corresponde a apenas 55% da bebida". Otávio complementa: "Dentro do nosso ramo, não consideramos essa bebida, que é vendida em larga escala, como cerveja. Baratearam a produção e o preço, mas esqueceram de preservar a qualidade do produto". 
Márcio Hamada, também proprietário da Casa do Malte, explica que esse cenário ajudou no aparecimento de novas cervejarias, mais preocupadas com a qualidade e com o zelo pelas tradições da cerveja. "Existe a lei da pureza alemã, que recomenda que a cerveja deve ser feita essencialmente com malte, lúpulo, levedura e água. Quando você muda a receita acaba estragando o seu produto. Por um lado, isso foi bom para quem quer produzir cervejas artesanais para venda ou para consumo próprio. Quem buscou primar pela tradição e qualidade está colhendo os frutos agora", explica Márcio.   
Além de possuir uma boa rede de cervejarias artesanais, o país também conta com inúmeras empresas especializadas em insumos para essa produção.  Hoje, um produtor caseiro tem acesso fácil ao malte belga ou alemão, algo impensável há 10 anos.  Hamada aponta algumas microcervejarias da região que merecem destaque: "Na nossa região, temos bons rótulos, como a Cervejaria Araucária de Maringá, a Queens de Arapongas, e a Birra Morcelli de Londrina. Além disso, tem gente arrendando essas microcervejarias para poder comercializar a sua própria produção". Hamada explica que a cerveja artesanal só pode ser vendida com autorização do Ministério da Agricultura.  
Por serem mais encorpadas e com uma graduação maior de álcool, essas cervejas devem ser apreciadas de um modo diferente das cervejas comuns.  Otávio Basílio recomenda: "A cerveja artesanal é feita para ser degustada com prazer, mais vagarosamente; com isso, você acaba bebendo menos, mas o efeito alcoólico é maior", finaliza.

Rafael Montagnini

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