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16/01/2018
O brejo que virou aterro
Diariamente, milhares de londrinenses de todas as regiões da cidade encaminham-se à região da Gleba Palhano para a prática esportiva e o lazer
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Quando o assunto é esporte ou diversão, o aterro do Lago Igapó é um dos espaços mais procurados pelos londrinenses. Todos os dias, milhares de pessoas passam pelo local, mas é no fim de semana que o espaço se transforma na “praia” pé-vermelha. Ali se encontra de tudo: casais namorando, famílias passeando com crianças, amigos fazendo piquenique, pessoas tocando instrumentos musicais e, principalmente, gente praticando diversos esportes. O local também abriga muitos eventos esportivos, servindo de ponto de partida e de chegada para provas pedestres. Ainda é aproveitado como palco para programas de televisão e apresentações artísticas, como as que ocorreram no último dia 10 de dezembro, em comemoração aos 83 anos de Londrina. 
O aterro nasceu por uma necessidade urbana e de saúde pública. Após o represamento do Lago Igapó I, no final década de 1950, e a consequente formação do Igapó II, a área onde está o aterro transformou-se em um grande brejo. Isso acarretou a proliferação do caramujo hospedeiro do schitosoma – causador da esquistossomose, conhecida como “barriga d’água”. "A população do entorno queixava-se muito da proliferação dos caramujos, dos mosquitos e do mau cheiro que o brejo exalava", explica Camila Oliveira, mestranda da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, autora do trabalho “Igapó – patrimônio afetivo e ícone da paisagem urbana londrinense”.  
De acordo com a arquiteta, o problema foi solucionado de modo pragmático durante a gestão do ex-prefeito Wilson Moreira, que esteve à frente da prefeitura entre 1983 e 1988: “Em 1985, a Avenida Leste-Oeste, principal via que liga essas duas regiões, estava sendo construída e o aterramento do Igapó foi uma boa solução para o descarte da terra originada daquela obra. Por esse motivo, o aterro é constituído de material bastante heterogêneo: terra e todo tipo de entulho, o que é um complicador para se fazer qualquer tipo de fundação naquele solo”. De um lado do aterro, passa o ribeirão Cambé, por um leito estreito localizado à direita do terreno. À esquerda, corre um pequeno curso d’água, chamado Novo Mundo. As obras do aterro foram finalizadas em 1988, mas, diferentemente do que ocorreu na entrega do Lago Igapó I, não houve solenidade de inauguração do local. 
Dez anos depois, o aterro do lago quase desapareceu. O então prefeito Antonio Belinati e a Câmara Municipal de Londrina sancionaram a Lei n° 7514, com a finalidade de implantação e exploração de empreendimento privado para atividade de lazer e diversão. Essa decisão foi mal recebida pela população. Após meses de pressão, a lei foi revogada, tendo sido criado o Parque Ecológico Francisco Miguel Arrabal - sob a Lei 7.834, de 9 de setembro de 1999. 
Com o crescimento da Gleba Palhano, especialmente a partir do ano 2000, o aterro ganhou milhares de novos frequentadores, fazendo com que as administrações municipais atentassem mais para o local, instalando equipamentos esportivos e de lazer. Há, no momento, campo de futebol; campo com traves especiais para os times de rugby e futebol americano da cidade; uma unidade de academia ao ar livre (alongadores, simuladores de caminhada, aparelho de remada sentado, de pressão de pernas e outros); quadras de futebol e voleibol de areia, e uma pista de caminhada. 
Mesmo com uma razoável infraestrutura, o espaço apresenta alguns problemas para seus frequentadores. A principal reclamação ouvida pela reportagem refere-se ao fechamento da passarela de madeira, que liga a parte interna do aterro à Rua Campo Grande. A passagem está interditada devido à sua deterioração.  "A passarela é essencial para quem faz a travessia por ali, o jeito é atravessar (o aterro) pelo asfalto da transposição da Avenida Faria Lima, o que é perigoso, pois não existem passagens de pedestres dos dois lados. A demora para o conserto é um descaso", reclama  Emerson Filetto Rafael, morador do Maison Provence.
Indispensável para a prática esportiva saudável, não há no aterro um único bebedouro. Corredores e pessoas que caminham por ali também reclamam que não há um espaço apropriado para o esporte, como relata Bruno Mendes, morador do centro, que utiliza o aterro diariamente: “Há apenas um pequeno trecho com calçada, mesmo assim os postes e árvores no meio do calçamento atrapalham bastante. Por isso, muitas pessoas acabam utilizando o espaço reservado às bicicletas. Acho que, com inteligência e boa vontade, a prefeitura poderia criar uma pista cimentada exclusiva, sem obstáculos, que contornasse toda a extensão do aterro”. 
Rafael Montagnini 

Opinião do Jornal da Gleba - No final de 2018, este importante cartão-postal completa 30 anos. Não seria a oportunidade perfeita para Prefeitura Municipal fazer uma reforma completa no aterro? Entre as melhorias que poderiam ser feitas incluem-se: uma pista exclusiva para corrida e caminhada; instalação de bebedouros; mais lixeiras; espaço para guardar bicicletas; um chuveiro próximo às quadras de futebol e vôlei de praia; reforma da passarela de madeira, e uma obra para acabar com o transbordamento dos cursos d'água, que margeiam o aterro.  A entrega das obras poderia ser feita no dia do aniversário da cidade, 10 de dezembro, com uma grande festa para comunidade.

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