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07/11/2017
O médico oncologista Rivadávio Antunes fala sobre sua experiência profissional no tratamento do câncer
Mitos e dúvidas sobre o câncer

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Laços rosas e azuis são bastante comuns nessa época do ano. Quem os usa está apoiando as campanhas internacionais Outubro Rosa e Novembro Azul, que têm por objetivo mobilizar mulheres e homens para prevenção do câncer de mama e de próstata, respectivamente.
Esses dois tipos de câncer são os principais causadores de mortes em pessoas diagnosticadas com a doença. Durante esses meses, são organizadas várias ações que pretendem fortalecer a necessidade e a importância da prevenção para um diagnóstico precoce. Também são angariados fundos em diversos países para pesquisas que estudam a causa, prevenção, diagnóstico, tratamento e cura do câncer de mama.
Principal centro de tratamento do norte do Paraná, o Hospital do Câncer de Londrina (HCL) atende pacientes de 200 municípios, a maioria do Paraná e de outros estados. A reportagem do Jornal da Gleba esteve no HCL para conversar com o médico oncologista Rivadávio Antunes, 32 anos, morador da Gleba Palhano. O intuito foi saber mais sobre essas doenças (o câncer não é uma doença única; são pelo menos duas centenas delas reunidas pela mesma nomenclatura, com características em comum). Confira a entrevista a seguir: 

Jornal da Gleba ? Qual a importância de campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul?
Rivadávio Antunes ? Essas campanhas despertam a atenção de homens e mulheres para prevenção do câncer. Nessa época, aumenta o número de pacientes que procuram fazer os exames preventivos de próstata e de mama.

JG ? Qual o conselho o senhor poderia dar a uma pessoa que acabou de ser diagnosticada com algum tipo de câncer?
RA ? Seja forte para encarar a doença. O tratamento não é fácil, mas quando diagnosticado precocemente é possível ficar livre da doença. 

JG ? O senhor, que é um jovem médico, mas com ampla experiência no tratamento do câncer, tem alguma história que marcou sua carreira?
RA ? Houve um paciente que tratei durante a minha residência, com a mesma idade que eu tinha, 29 anos. Por isso, me afeiçoei a ele e a sua família. Tornamo-nos, de certa maneira, amigos.  Infelizmente, ele faleceu na minha última semana de residência. Após três anos de tratamento, ele não resistiu. Deixou esposa e dois filhos. Para mim, foi como encerrar um ciclo como profissional. 

JG ? O que se pode fazer para evitar o câncer? 
RA ? Não fume, não beba álcool em excesso, proteja-se contra doenças sexualmente transmissíveis, já que elas podem se desenvolver para alguns tipos de câncer, como o de colo do útero. Faça exercícios físicos, pois a obesidade está ligada a 17 tipos de câncer.
 
JG ? O que o senhor acha desses mitos sobre o câncer, como, por exemplo, a história de que a cura para a doença já existe, mas não é divulgada? Outro boato levanta a hipótese de que a mamografia exporia a mulher ao câncer de mama... 
RA ? Não existe nada disso. Evoluímos muito no tratamento do câncer, mas não existe a cura definitiva. Sobre a mamografia não há o menor perigo. Isso não faz sentido. Pelo contrário, peço que todas as mulheres, que tenham entre 40 e 75 anos, façam anualmente a mamografia. Está comprovado que mulheres diagnosticadas no início do câncer têm alta probabilidade de remissão da doença. 

Rafael Montagnini

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