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13/10/2017
O alemão que pincelou de verde a cidade dos pés-vermelhos
Erich Franz Kühnlein arborizou nossa paisagem urbana e transformou a cara de Londrina
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Se hoje Londrina pode ser considerada uma metrópole verde, com calçadas, avenidas, praças e parques bem arborizados, esse título deve ser atribuído a um alemão que conheceu os horrores da guerra e veio parar "meio sem querer" nestas paragens. 
Erich Franz Kühnlein nasceu em 1929, em Grosheisen, sul da Alemanha. Filho de um veterinário e uma dona de casa, já no fim da Segunda Guerra Mundial foi convocado a lutar, mas foi dispensado após ser atingido por estilhaços de um tiro de bazuca. Com o fim da guerra, foi para a cidade de Wurzburg estudar jardinagem e paisagismo. 
Tentou emigrar para o Canadá, mas teve o visto negado. Por influência de um amigo, embarcou para o Brasil. Erich não conhecia a língua, muito menos as características do novo país; trazia consigo, contudo, muita coragem e um bolso cheio de sementes para semear no novo lar. Chegou em 1952 e foi trabalhar em um viveiro de plantas na cidade de São Paulo, onde sua história com Londrina também começaria. 
Naquela época, quando Londrina era administrada pelo prefeito Milton Menezes, a prefeitura buscava, justamente, um profissional para coordenar o plano de arborização do centro da cidade. A prefeitura comprou centenas de mudas do viveiro em que trabalhava o jovem imigrante alemão. Com o carregamento de árvores, veio também Erich Franz Kühnlein.
De imediato, o prefeito e o paisagista deram-se muito bem. Concluído o serviço, Erich voltou para São Paulo, quando soube que seu antigo patrão havia morrido. Retornou a Londrina no ano seguinte e foi trabalhar na prefeitura. A pedido de Milton Menezes, tornou-se responsável pela criação do horto florestal, situado nas proximidades do local onde, atualmente, fica o Hospital Universitário da UEL. Naquela época, o espaço era utilizado como viveiro municipal.  
Por sete anos, foi o responsável por arborizar grande parte da cidade; saiu da prefeitura em 1960, e abriu seu próprio negócio com um sócio. Com a empresa de jardinagem, trabalhou nas obras do Estádio do Café, do IAPAR, Instituto Brasileiro do Café (IBC), e em diversas rodovias do interior do Paraná. Em 1984, resolveu trabalhar apenas com a família, e foi assim até se aposentar, em 2002. 
Hoje, aos 88 anos, Erich Franz Kühnlein, um homem com tantas histórias, tem poucas lembranças. Infelizmente, há três anos, sofre com o mal de Alzheimer. Por isso, os fatos desta reportagem foram narrados pelo filho, Carlos Kühnlein - que seguiu os passos do pai, e hoje trabalha como arquiteto e paisagista -, e pela esposa, Lindinalva Cavalcante, com quem Erich teve cinco filhos e está casado há mais de 60 anos.  

Rafael Montagnini

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