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09/07/2014
Carménère, a uva que quase desapareceu
Os segredos do vinho Carménère
A história da uva que ficou oculta por mais de um século no Chile
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Além do sucesso surpreendente da seleção chilena nesta Copa do Mundo, os torcedores de "La Roja", têm diversos motivos para voltar felizes para o nosso querido Chile. Além da ótima campanha, nosso país oferece uma grande variedade de vinhos para celebrar nossas conquistas e lamentar nossas derrotas. Um desses vinhos é o fantástico Carménère, uma joia da vinicultura mundial que hoje cresce apenas nas vinícolas chilenas.  
Essa interessante história começa no ano de 1861, quando uma família de fazendeiros ingleses viaja aos Estados Unidos e, sem saber, traz de volta ao continente europeu videiras com o inseto Filoxera, um devorador de raízes, que convivia em perfeita harmonia com as plantas americanas, duras e amargas, diferentemente das videiras europeias, doces e moles, produzindo uma das piores catástrofes da agricultura na história da Europa.  
Foi assim que desapareceu a cepa Carménère, que era amplamente produzida no século XIX, na região de Medoc, em Bordéus, França.  
Anteriormente a essa tragédia, um visionário vinicultor chileno, Francisco de Ochagavia, decidiu substituir a cepa País, que por quase 300 anos foi utilizada para celebrar missas, por uvas nobres europeias. Viajando para a França, trouxe para o Chile cepas que são a base da vinicultura chilena, como o Merlot, o Carbernet Sauvignon, o Malbec, entre outras. Isso sem se dar conta de que a uva Carménère permanecia oculta junto ao Merlot. 
Depois de 150 anos, em 1994, um  ampelógrafo francês, profissional que estuda os tipos de vinhas, Jean Michel Boursiquot, descobriu que as folhas das videiras vendidas como Merlot eram, na realidade, da cepa Carménère. 
Uma das características marcantes do vinho Carménère é a sua cor vermelha, muito acentuada. Suas notas aromáticas são de pimentão verde e terra úmida, seus taninos são suaves e amigáveis, com corpo médio de boa persistência e muito mais divertido que o Merlot.
Atualmente, cerca de oito mil hectares de Carménère estão na zona central do Chile. A ideia predominante é converter a uva Carménère em um símbolo chileno, como a Malbec está para a Argentina, a Tannat para o Uruguai e a Syrah para a Austrália. Somos o único país com importância na vinicultura mundial que vende o vinho Carménère em grande escala. 
Se você ainda não conhece Carménère, saiba que ele é ideal para os meses mais frios do ano. Além do mais, um vinho tão bom, quando é redescoberto, merece um brinde especial. Então, um brinde ao vinho Carménère! "Salud". 

Jorge Sepulveda Gallardo é sommelier e torcedor de "La Roja". 
(43) 96806909

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