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12/05/2017
Gleba Palhano assustada
Comerciantes relatam momentos de terror durante tiroteios ocorridos em uma das principais avenidas do bairro

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No último mês de abril, comerciantes e moradores da Gleba Palhano foram surpreendidos com duas trocas de tiros, em tentativas frustradas de assalto, na Avenida Madre Leônia Milito.  A primeira aconteceu no dia 10, e a segunda, no dia 17 de abril. Nos dois casos, os alvos dos bandidos eram as agências bancárias do Banco do Brasil e da Uniprime. 
Apesar do forte tiroteio, não houve vítimas. Entretanto, o medo de quem presenciou os acontecimentos ainda persiste. As comerciantes 
Renata Mattos e Larissa Saloio se dizem assustadas por trabalharem entre duas agências bancárias. "O bairro cresceu e as autoridades não perceberam que tentativas de assaltos poderiam acontecer nessa região; vemos poucas viaturas da Polícia Militar e da Guarda Municipal circulando por aqui. Hoje, qualquer barulho que ouvimos já nos deixa muito assustadas", comenta Larissa. 
Quem também viveu momentos de tensão foi a vendedora Cida Luvisotto; ela presenciou a chegada dos bandidos e o tiroteio em frente à loja em que trabalha. "Eu estava trabalhando normalmente quando vi alguns homens indo em direção ao banco; percebi que havia algo de errado. Alguns segundos depois, ouvi os tiros; saí correndo pelos fundos da loja e me abriguei em uma boutique vizinha; me escondi com as outras vendedoras até o som dos tiros acabar. Foi aterrorizante", relembra. Apesar dos momentos de terror, Cida diz não ter medo de trabalhar na Gleba Palhano, e espera que algo do tipo não aconteça mais. 
Ideias, projetos e planos de segurança para a Gleba Palhano nunca faltaram desde a criação do ConGP. Contudo, várias tentativas de melhorar a segurança do bairro não saíram do papel. Em parte pela burocracia estatal, mas também pela falta de apoio dos moradores do bairro. Marcus Ginez, atual presidente do conselho da Gleba Palhano, não é otimista em relação ao tema: "Muitas pessoas conversam comigo sobre a segurança, e percebo que elas estão assustadas. Acredito que a situação só tende a piorar. A única maneira de sairmos dessa conjuntura é com o apoio da população; por isso, peço que as pessoas participem das nossas reuniões, com sugestões e críticas. Precisamos nos unir para cobrar das autoridades o nosso direito sagrado à segurança". 
Marcuz Ginez conta que há meses está esperando um parecer jurídico da Procuradoria do Município sobre a cessão de imagens de câmeras particulares dos edifícios da Gleba Palhano para a Guarda Municipal. Além dessas imagens, o ConGP pretende instalar 32 câmeras de monitoramento nas ruas da Gleba Palhano e em seus arredores, passando pelas Avenidas Madre Leônia Milito, Ayrton Senna e Higienópolis. As imagens seriam enviadas à Guarda Municipal, no futuro GGIM, Gabinete de Gestão Integrada Municipal. 
No dia 26 de abril, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal reuniu representantes das forças de segurança para discutir a violência na cidade; estiveram presentes à reunião moradores e representantes do ConGP. O Jornal da Gleba ouviu o major Hiberaldi Correia de Lima, que participou da discussão. Segundo ele, o bairro é seguro em comparação a outros da cidade, e os tiroteios ocorridos em abril são eventos isolados. O major ainda ressaltou que os bancos também precisam melhorar seu sistema de segurança. 
"Não considero a Gleba Palhano um bairro violento. Pelo contrário, vejo ali um ambiente bastante familiar. Temos um bom policiamento nessa região, com viaturas, bicicletas e policiais a cavalo. Essas duas situações foram totalmente atípicas", garantiu o major. 

Rafael Montagnini

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