Notícias

10/04/2017
Oitenta voltas no circuito da vida
Luciano Borghesi desafia as curvas do tempo pilotando em alta velocidade

PERFIL (1).jpeg

Aos 80 anos, Luciano Borghesi acredita ser o piloto de corrida mais velho do Brasil em atividade. "Do mundo, eu não sei, mas, do Brasil, eu tenho certeza", conta sorrindo o experiente piloto, que, neste mês, começa a disputar mais um campeonato brasileiro de Endurance, na categoria protótipo. Luciano é uma das lendas dessa modalidade; foi campeão brasileiro em 2006, tetracampeão paranaense e conquistou quatro vitórias nas 500 milhas de Londrina, além de contar com diversos outros títulos em outras categorias do automobilismo nacional. 
Borghesi nasceu em 1936 na cidade de Piazza Serchio, na região italiana da Toscana. Era criança quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Desse tempo, lembra ter visto centenas de aviões de guerra passando por cima da casa de sua família. Por influência de um tio, que já vivia no Brasil, seus pais resolveram emigrar para o Novo Mundo. 
Por aqui, o jovem Luciano foi estudar mecânica em uma unidade do Senai, em São Paulo. Logo, arranjou um emprego no setor de controle de qualidade, na fábrica da Alpha Romeo. Na época, a empresa resolveu colocar seus automóveis para competir com outras marcas, tendo um departamento exclusivo para competições, e Luciano foi convidado para ser um dos pilotos da equipe italiana. Em 1962, participou de sua primeira prova automobilística, em Petrópolis, Rio de Janeiro. Foi lá que também sofreu o primeiro acidente, "eu vinha bem, em quarto lugar, mas, faltando poucas voltas para o final, acabei capotando o carro". 
Depois dessa fase como piloto da Alpha Romeo, Luciano se estabeleceu em Londrina, onde tem sua família. Ao todo, são cinco filhos, oito netos, e a esposa. Além das competições, o eterno corredor divide o tempo entre sua empresa de seguros e sua fazenda de gado. 
Para falar sobre esses 80 anos bem vividos, Luciano Borghesi nos recebeu em sua empresa. 

Jornal da Gleba - O sobrenome Borghesi é sinônimo de velocidade; de onde veio essa paixão?
Luciano Borghesi - Quando eu era menino lá na Itália, já adorava mexer com motores. Aqui, tive a sorte de poder fazer o que eu mais gosto, que é disputar corridas automobilísticas. Além de mim, meu sobrinho Beto e meu filho Tazzio também são apaixonados por automobilismo e seguiram o caminho que eu iniciei. 

JG - Como é ser o piloto mais velho em atividade no Brasil? 
LB - Quando estou correndo, não penso na minha idade, penso em ganhar, ser competitivo. Enquanto estiver correndo entre os melhores, não penso em parar.

JG - Como é a sua convivência com os outros pilotos? E o que sua família acha do fato de o senhor continuar correndo? 
LB - Às vezes, os filhos me pedem para parar. Já com os outros pilotos, a coisa é normal, todo mundo me respeita, converso com todos, mas na hora da corrida ninguém tira o pé se estou fazendo uma ultrapassagem (risos). 

JG - Por que escolheu a Gleba Palhano para morar?
LB - Gosto muito do bairro, é um local valorizado; além disso, moro no 16º andar, tenho uma vista privilegiada do lago Igapó e do centro da cidade. 

Rafael Montagnini

Busca