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10/07/2014
Eduardo Romanini
Filósofo da portaria
Especialista dá dicas de como gerir o trabalho nas portarias dos prédios da Gleba Palhano
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O instrutor de segurança Eduardo Romanini orienta o porteiro Marcos Viana, do edifício Le Corbusier

Aos 25 anos de idade, Eduardo Romanini começou a trabalhar em portarias de prédios residenciais, atuou em todos os turnos, e conheceu as dificuldades enfrentadas pelos porteiros. Decidido a crescer na carreira, apostou em cursos de aprimoramento profissional e, com muito empenho, chegou ao cargo de instrutor de porteiros do Senac, função que exerceu até o ano passado. 
Atualmente, aos 37 anos, é vigilante profissional, instrutor de artes marciais, filósofo e está terminando um MBS (Master Bussiness of Security). Além disso, é supervisor de uma empresa de segurança privada, que atende universidades, empresas, edifícios e condomínios horizontais. "Percebo que a Gleba Palhano é uma região carente de profissionais bem qualificados. Por isso, é mais do que necessário o treinamento de todos os funcionários dos condomínios". Sobre esse e outros assuntos relativos ao trabalho dos porteiros, o Jornal da Gleba entrevistou Eduardo Romanini no final do mês de junho. Confira a entrevista:

Jornal da Gleba - O curso de capacitação de porteiros do Senac é muito procurado pelos profissionais que trabalham na Gleba?
ER - O número não é expressivo. Existe ainda resistência de alguns síndicos pelo fato de o porteiro ter de se ausentar para frequentar o curso. Atualmente, o Senac oferece um curso curto de duas semanas e poucas horas de aula por dia. Também existe, na Gleba Palhano, o profissional que está há bastante tempo no mercado e não vê a necessidade de se aprimorar.

JG - Como se comporta um profissional treinado?
ER - Treinados e valorizados, os porteiros dão adeus a antigos hábitos e buscam cada vez mais qualificação. 

JG - Que tipo de hábitos?   
ER - Algo inaceitável é assistir televisão dentro da portaria. Ali é um local de trabalho. Televisão serve para descontrair, se o porteiro se distrai, coloca em perigo a segurança de todos os moradores do condomínio. Outro hábito ruim é o porteiro que se ausenta da portaria a todo momento, esse é outro fator que compromete a segurança do prédio.

JG - Quais as qualidades que um porteiro deve ter?
ER - O porteiro deve ser sempre educado e saber se comunicar com polidez. Além disso, deve ter clareza sobre quais são suas obrigações para não sobrecarregar os outros funcionários. O porteiro deve se enxergar como uma peça importante para a engrenagem do condomínio. 

JG - Qual a idade média dos porteiros?
ER - O trabalho de porteiro tem atraído mais jovens nos últimos anos, pois não é um trabalho cansativo e a remuneração tem melhorado. A média de idade varia de 25 a 35 anos. 

JG - Como uma portaria deve ser?
ER - Organizada, em primeiro lugar. O balcão deve estar sempre livre, no máximo deve estar ali um livro-ata, um pequeno malote ou algum material de trabalho. Nada de revista ou jornal, esses devem ser colocados nas caixas de correspondências dos moradores. As correspondências devem estar acima da cabeça do porteiro. Assim, o profissional jamais perderá a visão do lado de fora da portaria.  
JG - Por que o número de mulheres está aumentando nas portarias?
ER - Esse é um mercado que se abriu para mulheres e elas estão se dando muito bem. Na maioria das vezes, elas são mais educadas, comprometidas e resolvem os problemas com maior sensibilidade. Mas, do ponto de vista da segurança, a mulher é ainda vista como vulnerável.   

Rafael Montagnini

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