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12/12/2016
Segunda chance
Presos do regime semiaberto e aberto poderão trabalhar em serviços de manutenção na Gleba Palhano
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Uma parceria entre o Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon) e o Conselho de Condomínios Residenciais e Comerciais da Gleba Palhano (ConGP) espera dar nova oportunidade a homens que em algum momento da vida  cometeram um crime, foram condenados, e hoje procuram uma nova oportunidade de vida por meio do tripé social: trabalho, educação e disciplina. 
O Creslon é uma Unidade Penal que abriga os presos do Sistema Penitenciário do Paraná condenados em regime semiaberto. A unidade fica na Vila Fraternidade, e mais parece uma escola do que uma prisão, lá não se veem grades, mas salas de aulas. Tudo muito simples, mas bastante funcional, como garante Maurício Sanchez, diretor do Creslon e síndico do edifício Villa Lobos: "Esse trabalho começou há três anos e é um modelo a ser seguido. Nossos egressos trabalham em muitas obras pela cidade, quem passa por eles não sabe que estão aqui conosco". 
A reforma do Estádio do Café, feita no início deste ano, a preparação do autódromo para prova de Stock Car desta temporada, e a reforma completa da sede da Guarda Municipal de Londrina, localizada na margem do lago Igapó II, foram obras realizadas pelos presos do semiaberto e aberto do Creslon.
Na Gleba Palhano, os presos trabalhariam em setores nos quais o Poder Público deixa a desejar. O ConGP faria a contratação de dois a três homens para fazer a manutenção das vias públicas, pintura de meio-fio, capina, roçagem, poda de árvores, limpeza de terrenos baldios, de bueiros e das margens do Igapó. Sidnei de Souza, gerente do ConGP, explica que os presos não terão nenhum tipo de acesso aos condomínios e muito menos farão serviços internos nesses locais. 
Durante a última reunião mensal da entidade, ocorrida no edifício Maison Giverny, no mês de novembro, a proposta foi apresentada aos membros do conselho. De acordo com Sidnei Amaro, poucas pessoas se manifestaram contra a ideia. "Talvez por preconceito ou por falta de informação tivemos algumas opiniões contrárias. Por isso, faremos outras reuniões para esclarecer eventuais dúvidas. O que não é certo é se dizer favorável à recuperação dos presos, mas desde que isso aconteça bem longe da sua casa". 
Mauricio Sanchez explica que, atualmente, diversos presos do semiaberto, que estão com tornozeleiras eletrônicas, já estão trabalhando na Gleba Palhano. "Temos centenas de pessoas nessa condição, que trabalham todos os dias nos canteiros de obras do bairro, seja como trabalhadores das construtoras, ou como funcionários de empresas prestadoras de serviços que atuam por aqui", explica Sanchez. 
Nesse tipo de contrato de locação de mão de obra, o empregador paga o valor de um salário mínimo, piso nacional, mensalmente, além de alimentação e transporte, mas fica livre dos encargos trabalhistas, como férias e 13º salário.  De segunda a sexta-feira, o detento sai para o trabalho durante o dia e se recolhe ao Creslon ao final do expediente.   
Essa experiência laboral permite ao preso um conhecimento que, mais tarde, ele poderá utilizar quando estiver em liberdade. 

Rafael Montagnini

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