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17/05/2016
David Wang - Talento natural e técnica avançada
A liberdade e o prazer de pintar, segundo David Wang

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Desde os 8 anos de idade, o artista plástico taiwanês, naturalizado brasileiro, Wang Pen Liang, mais conhecido como David Wang, já manifestava talento artístico, incentivado pelo governo chinês por meio de concursos culturais. Quando chegou ao Brasil, com 13 anos, demorou nove anos para aprender a língua portuguesa, devido à falta ou à dificuldade de acesso a livros de aprendizagem. Utilizou-se, então, da pintura para se comunicar. 
Foi aí que descobriu a prática da pintura de cavalos com a técnica sumiê, pintura tradicional chinesa. Wang é, atualmente, o único artista brasileiro que usa essa técnica na pintura de cavalos. Já são mais de quatro mil obras com a utilização de sumiê. 
Em sua formação, incluem-se curso técnico de ilustração e publicidade na Escola Panamericana de Arte e faculdade de artes plásticas na FAAP. É um artista modernista, com inspiração nas linhas clássica, neoclássica, impressionista e contemporânea. Já recebeu vários prêmios e homenagens, como a de Conselheiro Cultural e de Presidente Honorário da Câmara Geral de Empresários Chineses no Brasil, entre outros. 
Confira, a seguir, a entrevista do pintor ao Jornal da Gleba: 

Jornal da Gleba - Em 2014, ano em que aconteceu a Copa do Mundo no Brasil, foi realizada a exposição da série "Copas - Os melhores do Mundo", retratando vários jogadores. Como surgiu a ideia? 
David Wang - Foi um grande acontecimento no Brasil, e eu estava criando séries de pinturas aleatórias, com cores explosivas. Recebi a sugestão de um amigo e montamos o projeto, que seria entregue para São Paulo. Porém, recebi uma homenagem da Câmara de Vereadores de Londrina e vi a Praça dos Três Poderes, achei o espaço muito bacana. Pintei o Pelé ao vivo. Foram 15 obras no total.

JG - Como artista plástico, qual é a sua visão sobre a arte?
DW - Atualmente, a arte perdeu o parâmetro em relação ao que é belo. Perdeu-se o conceito de reto, certo e de perfeição. A arte perdeu a exigência de ser bem feita, os princípios e a essência. A arte é equilíbrio, é liberdade, mas sem exagero.   

JG - A equipe de reportagem teve acesso a informações sobre projetos educacionais que você criou. Que projetos são esses?
DW - Há oito anos recebi uma proposta para trabalhar com menores infratores. Foi um grande desafio. Também montei projetos em colégios para ensinar crianças sobre desenho, porém, não tive resultados por parte dos pais. Fui à prefeitura e apresentei projetos, mas não recebi respostas. Acabei desanimando. Atualmente, tenho novos projetos em mente. 

JG - Você é um amante do motociclismo. Há alguma associação com suas obras?     
DW - Pintura é a minha vida. Andar de Harley é o meu hobby. Quando você pilota uma Harley, você se torna parte da paisagem. Eu me alimento das paisagens e das cores. Não fico um dia sem andar de Harley. Pintura e Harley me dão a mesma coisa: liberdade.

Milene Paschoal

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