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17/05/2016
Cafés especiais
O café norte-paranaense é reconhecido como um dos melhores do país

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No dia 24 de maio é celebrado o dia nacional do café, data que marca a época em que se iniciam as colheitas nos cafezais brasileiros. O Brasil é o maior produtor de café do mundo e, como consumidor da bebida, só perde para os Estados Unidos. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), cada brasileiro consumiu em média 81 litros de café em 2015, e os números seguem aumentando.
Da produção brasileira, uma pequena parte é considerada diferenciada: 3% das sacas produzidas no país recebem a denominação de cafés especiais, compostos por grãos altamente selecionados. Londrina, que já foi considerada a capital do café, continua sendo destaque na rota da bebida. O café norte-paranaense é reconhecido como um dos melhores do país.
Os baristas trabalham para garantir a qualidade do café e produzir sabores únicos. Segundo Cristina Maulaz, barista e degustadora de cafés, "os cafés especiais têm diversas características que conferem a eles um sabor inigualável, com cuidados que vão desde o plantio até chegar à xícara do consumidor. Esse cuidado resulta em um equilíbrio entre quesitos como aroma, corpo, doçura e acidez". Cristina é provadora de cafés certificada pela Speciality Coffee Association of America (SCAA), entidade que classifica a qualidade da bebida no mundo todo. Recebem o título de cafés especiais aqueles que têm notas acima de 80 na avaliação da SCAA, em uma escala de 0 a 100 pontos.
Além de oferecer cursos e oficinas para baristas da região e até mesmo de fora do país, Cristina mantém há 12 anos em Londrina a cafeteria O Armazém Café, especializada em servir cafés especiais, com foco nos grãos norte-paranaenses. Um deles é o café produzido na fazenda Palmeira, em Santa Mariana, exclusividade da cafeteria. "É um café da variedade Paraíso, com requinte no paladar, bem equilibrado, com doçura, acidez e não muito encorpado", diz Cristina, que serve cafés premiados em concursos, além daqueles avaliados e classificados por ela própria. O café mais exótico da casa, o Jacu Bird Coffee, produzido no Espírito Santo, é o segundo mais caro do mundo, e é obtido de forma curiosa: dos excrementos do pássaro Jacu, que se alimenta dos grãos de pés de café.
Os cafés especiais também são moídos e coados no momento do consumo. Existem até mesmo aqueles que são coados diretamente na xícara. "É preciso que o café seja consumido na hora, senão poderá perder suas propriedades e até mesmo o sabor. Não deve ser armazenado", diz Cristina. Outra nuance é o cuidado com a torra do grão: quanto menos torrado, mais o café conservará suas características. "O café muito torrado perde seus açúcares naturais e fica amargo", diz Cristina, esclarecendo que o café, especialmente o norte-paranaense, é adocicado por natureza, e não deve ser consumido com açúcar, apesar de ser um hábito comum.

Fernando Bianchi

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