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20/10/2015
Aparecido Laurindo Viana
Zelador transforma orquídeas descartadas em obras de arte

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Quando foi contratado pelo edifício Gaudi, Aparecido Laurindo Viana, mais conhecido como seu Cido, deveria exercer a função de porteiro, mas percebeu que ali não seria feliz e pediu para que a administração do condomínio o transferisse para a zeladoria, mesmo ganhando menos do que na função para a qual fora contratado anteriormente. Seu Cido queria ficar próximo de sua grande paixão, as plantas. 
De lá para cá, seu Cido transformou o condomínio em um grande jardim de orquídeas e frutas. As árvores frutíferas já estavam no projeto original da construção, mas seu Cido acrescentou outras espécies ao pequeno pomar do edifício Gaudi. Já as orquídeas são provenientes de plantas descartadas no lixo pelos moradores do próprio edifício.  
Com muito cuidado, seu Cido retira as plantas dos sacos de lixo e dá a cada uma delas um novo "lar", um potinho de plástico comum, até serem enxertadas em novas árvores. Ivany Vaquero, moradora do Gaudi, e incentivadora do trabalho de seu Cido, conta que a ideia é espalhar essa boa ação para todos os edifícios da Gleba Palhano. "Poderíamos fazer uma parceria com o ConGP e com a UEL para a coleta dessas plantas que as pessoas não querem mais e espalhá-las pelas árvores do Lago 2 e do aterro". Seu Cido, que já se prontificou a ensinar o que sabe a outros funcionários dos edifícios do bairro, aprova a ideia. Na última quinzena de setembro, ele falou ao Jornal da Gleba. Confira: 

Jornal da Gleba - Onde o senhor aprendeu a trabalhar com as orquídeas e outras plantas?
Aparecido Laurindo Viana - Sou da roça, meu pai ainda tem uma propriedade rural, em Nova Santa Bárbara, aprendi muita coisa na época em que morei na zona rural. Também fui funcionário do Iapar. Aprendi muito conversando com agrônomos e botânicos. Mas acho que o mais importante é ter amor pelo que se faz.   

JG - Quais frutas o senhor cultiva no pomar do Gaudi?
ALV - Aqui nós temos acerola, pitanga, laranja, amora, jabuticaba e ameixa. O interessante é que as crianças do prédio podem conhecer as frutas no pé. Muitas delas nunca tiveram a oportunidade de conhecer um sítio ou fazenda, mas aqui elas podem vivenciar um pouco dessa experiência. 

JG - De onde veio a ideia de recolher as orquídeas descartadas?
ALV - Há três anos, percebi que muitas orquídeas vinham sendo jogadas no lixo, aí veio a ideia de recuperá-las. Peguei três plantinhas bem deterioradas e consegui um bom resultado, enxertei-as em árvores do condomínio e não parei mais. 

JG - O que é preciso para ter um resultado tão belo com as orquídeas?  
ALV - Sou um apaixonado pela natureza, em especial pelas orquídeas  Phalaenopsis e Catleias. Elas têm um verde muito bonito e que me agrada muito. Acho que o segredo é ter amor e um cuidado especial, pois são plantas muito delicadas. 

Rafael Montagnini 
Foto: Maria C. A. Penha 

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