Notícias

08/09/2015
Mulheres assumem portarias de condomínios
Cerca de 25% das vagas de porteiro em Londrina já são ocupadas por elas

IMG_3596.JPG

"Trabalhar na portaria de um condomínio com 304 apartamentos é um desafio que exige simpatia, organização e sensibilidade",  explica Marcelo Canhada, síndico do edifício Jardins, que emprega três mulheres em sua portaria. Para ele, não importa se é homem ou mulher, o que vale é o currículo. E se um dia o gênero já foi determinante para a contratação de funcionários para essa posição, isso não é mais realidade em Londrina, que hoje conta com mulheres ocupando mais de 25% das vagas de porteiro na cidade, segundo dados do Sindicato dos Empregados em Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos (Sindemcon).
Para o presidente do Sindemcon, João de Deus, o crescimento do número de mulheres nessa profissão se deu principalmente "com o advento da igualdade das mulheres. Elas estão buscando cada vez mais espaço no mercado de trabalho. Sem contar que, hoje, muitas das mulheres são o sustento da família". Ele ainda explica que não há diferença entre o trabalho realizado pelo homem e pela mulher: "Ao falar em força de trabalho, acho que as duas se equivalem. O que pode acontecer é que a mulher é mais delicada no jeito de ser em si, e a tratativa dela com o condômino talvez seja mais amenizada, mais carinhosa. O homem, às vezes, é mais rústico nessa fala com o morador".
Além desses aspectos, Marcelo Canhada salienta que o que conta mesmo é o currículo, e acredita que, nesse ponto, as mulheres levam vantagem, porque "no Brasil, as mulheres passam mais tempo na escola e têm melhor formação profissional do que os homens.  Nossa portaria é informatizada e tem alto grau de automação.  Para exercer essa função no Jardins, uma das exigências é ter bom conhecimento de informática.   Acredito que seja por isso que as mulheres são a maioria dos nossos profissionais de portaria."
Entre as profissionais que trabalham na portaria do edifício Jardins estão Annelise de Oliveira e Renata Barbirato, que acrescentam mais uma característica feminina que ajuda muito no trabalho: "As mulheres são mais atenciosas, conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, o que o homem não consegue, e nessa profissão precisa. Porque tem hora que você está com dois interfones na orelha e precisa atender a porta, tudo ao mesmo tempo. Acho que a mulher acaba dando mais conta disso do que o homem", destaca Renata. Na profissão há mais de cinco anos, Annelise afirma que, apesar dessas diferenças, "há espaço para todo mundo", mas lembra que ainda "tem condomínio que não aceita mulher porque acha que não é tão seguro quanto com homem."
Apesar das características particulares de cada gênero, Canhada prefere destacar que "também existem ótimos profissionais de portaria homens e outros não tão bons que são mulheres. Não existe uma regra definida nesse tema. Cada pessoa tem a sua personalidade e atua de acordo com ela, independentemente do fato de ser mulher ou homem", finaliza.

Carol Ferezini

Busca